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Ana Lúcia Maida é Bacharel em Biblioteconomia e
Documentação, pela Faculdade de Biblioteconomia e Documentação
da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo, e tem
especialização em Gestão de Documentos. Iniciou a carreira em
gestão documental como estagiária na Rhodia. Na Johnson &
Johnson desde 1987, coordenou aimplantação do Centro de Documentação da
Garantia da
Qualidade. Atualmente
coordena o processo de Records Management (Gerenciamento de
Registros) na J&J Medical
América Latina, cobrindo 12 países. |
Trechos da entrevista:
"...Reduzimos em 95% o tempo de espera para um documento ser arquivado e em 30%
a área ocupada pelo Centro de Documentação. Implementamos um Kanban de caixas vazias (para envio de documentos
para digitalização ou armazenagem externa); padronizamos o envio de documentos com a utilização de código de
barras nos documentos com maior demanda de organização e volume, e implementamos métricas. Todas essas ações
foram feitas sem que fosse preciso qualquer gasto ou investimento em processos e equipamentos. O único gasto
que tivemos, foi a compra de um quadro para as medições."
"... Um Engenheiro, Técnico de Qualidade, Operador, Assistente Administrativo
não foram contratados para arquivar documentos e sim realizar atividades técnicas, produzir, vender etc.
O Centro de Documentação da J&J existe para auxiliar esses profissionais, agilizar suas atividades, como,
por exemplo, o atendimento a um cliente externo ou a um paciente."
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CONTENT DIGITAL:
Quais as principais conquistas de sua área na gestão de documentos e conteúdos?
ANA LÚCIA:
Existe um programa mundial da J&J, no qual todas as empresas do grupo precisam se adequar a uma série de procedimentos
que garantam o manuseio, preservação, acesso e destruição de todos os registros da empresa, tanto em papel quanto
eletrônicos.
Atualmente somos benchmark no grupo J&J no processo de gerenciamento de registros. Fomos o primeiro
departamento administrativo da J&J a utilizar as ferramentas do
Processo Lean na implementação de projetos
de melhoria de produtividade.
CONTENT DIGITAL:
Qual é o seu principal desafio em relação ao tratamento e disponibilização de documentos
digitais para todas as unidades da empresa?
ANA LÚCIA:
Em minha opinião, o principal desafio é a disseminação da cultura de dispensa da criação do documento em papel. Não
precisa tirar uma cópia e enviar “pelo correio” ou imprimir e assinar para que ele tenha validade.
Mas isso não é “culpa” somente dos nossos usuários. Quase mensalmente sofremos fiscalizações, auditorias, pericias e
tudo o mais como qualquer outra grande empresa. E alguns dos profissionais desses órgãos ou entidades exigem copias de
documentos em papel, não aceitando o documento eletrônico, digitalizado.
Mas isso também está acabando. Em alguns casos é possível gravar todas as informações em um DVD e enviar ao perito.
É um processo muito mais ágil e seguro. Há pouco tempo recebemos uma notificação para apresentarmos cerca de 300
relatórios de um determinado processo. Estavam todos digitalizados e na Web. Fizemos uma pesquisa, utilizando uma das
chaves de busca e em cerca de 30 minutos o DVD estava na mão do requisitante
CONTENT DIGITAL:
Como se dá a integração dos processos de gestão documental com a intranet corporativa?
ANA LÚCIA:
Os colaboradores da empresa precisam ter acesso cada vez mais rápido à informação. É preciso fornecer a informação certa
, no momento certo e para o profissional certo. Com base nessas premissas, a Intranet é a ferramenta mais adequada para
centralizarmos todo o nosso processo de gestão documental.
Todos os sistemas são acessados a partir da Intranet, sempre com login e senhas para preservar a confidencialidade das
informações, bem como a confiabilidade do processo.
Uma grande variedade de documentos é digitalizada e disponibilizada em sistemas seguros e validados, permitindo o
acesso imediato em qualquer lugar do mundo com acesso à rede mundial de computadores.
Além desse processo, existem outros sistemas que estão ligados à Intranet. Como a Universidade Virtual, no qual são
disponibilizados treinamentos para qualquer funcionário da empresa em diversos idiomas, à sua escolha. O próprio
sistema gerencia quais funcionários fizeram ou não o treinamento.
Hoje se o funcionário precisar fazer uma requisição de compra, dar baixa em um ativo fixo, agendar suas férias,
imprimir seu holerite, pesquisar o relatório de validação de um equipamento, pesquisar a nota fiscal de um fornecedor,
o caminho é a Intranet.
CONTENT DIGITAL:
Quais os fatores que você considera essenciais para uma empresa atingir o ideal do acesso
à documentação estratégica através de um ambiente digital?
ANA LÚCIA:
Hoje é quase impossível uma empresa sobreviver sem o uso da tecnologia, mas essa necessidade vem agregada a um grave
problema. O risco e a vulnerabilidade das informações.
É preciso, cada vez mais, que a empresa tenha políticas e sistemas que minimizem esses riscos. O uso de logins e senhas
de acesso, com atualizações periódicas e de alta complexidade, são os passos iniciais para se ter um ambiente digital
seguro.
Os documentos devem ser protegidos de alterações indevidas e não autorizadas e acessos não permitidos. O uso de
dispositivos como Pen Drive, Notebooks etc. são potencias portas de entrada de vírus e outros perigos.
As empresas devem ter processos de monitoramento constante da rede, política de uso de periféricos e aplicativos além
de proibir a atualização de aplicativos feita pelo próprio usuário. Esses são, em minha opinião, alguns dos fatores que
irão garantir ou minimizar efeitos devastadores no acesso às informações (estratégicas ou não) da Companhia.
CONTENT DIGITAL:
Nessa trajetória de dedicação e construção da imagem de sua área, quais as principais
barreiras que você enfrentou para chegar ao atual estado de sofisticação?
ANA LÚCIA:
O arquivo em uma empresa normalmente é considerado como um departamento secundário, sem valor agregado ao negócio.
Felizmente na J&J isso não aconteceu. Sempre tivemos muito apoio da direção da empresa para a realização de nossas
atividades. Acredito que isso se deva ao fato de nunca termos trabalhado pensando em sermos apenas um lugar para guardar documentos.
Somos mais do que isso. Somos um departamento que proporciona a liberação do profissional para a realização das
atividades para a qual ele foi contratado. Um Engenheiro, Técnico de Qualidade, Operador, Assistente Administrativo
não foram contratados para arquivar documentos e sim realizar atividades técnicas, produzir, vender etc.
O Centro de Documentação da J&J existe para auxiliar esses profissionais, agilizar suas atividades, como, por exemplo,
o atendimento a um cliente externo ou a um paciente. Sempre estivemos em busca de atualização (tecnológica ou não)
para tornar nossos serviços mais eficientes e rápidos.
Em 2007 demos inicio a implementação de um
projeto Belt utilizando a metodologia do Lean Process
(eliminar desperdícios) - uma ferramenta muito usada em processos fabris. Foi o primeiro projeto Lean em uma área
administrativa da J&J, provando que a ferramenta pode ser utilizada em qualquer processo.
Reduzimos em 95% o tempo de espera para um documento ser arquivado e em 30% a área ocupada pelo Centro de Documentação.
Implementamos um Kanban de caixas vazias (para envio de documentos para digitalização ou armazenagem externa) [nota 3];
padronizamos o envio de documentos com a utilização de código de barras nos documentos com maior demanda de organização e volume e
implementamos métricas. Todas essas ações foram feitas sem que fosse preciso qualquer gasto ou investimento em processos e
equipamentos.
O único gasto que tivemos, foi a compra de um quadro para as medições.
Todas essas ações resultaram na agilidade da disponibilização da informação aos nossos usuários e uma vantagem competitiva para a nossa empresa.
É muito importante ressaltar que esses resultados foram atingidos sem que houvesse qualquer redução na quantidade de documentos
recebidos pelo Cedoc (Centro de Documentação), ou a necessidade de contratação de mão-de-obra.
E não paramos por ai. Estamos sempre buscando a melhoria continua. Não nos acomodamos e sempre identificamos algo para melhorar.
CONTENT DIGITAL:
Sabemos que os aspectos culturais são barreiras muito difíceis de transpor. Como você
sugere lidar com esses aspectos vitais para o sucesso do projeto?
ANA LÚCIA:
Acredito que uma das principais barreiras que devemos transpor é a do monopólio da gestão da informação pelo profissional
de Biblioteconomia. Hoje, somos aquele profissional que deve utilizar todo o conhecimento e experiência, para auxiliar os
demais profissionais da empresa na criação de um documento e identificá-lo. Devemos criar uma taxonomia, um thesaurus com
os termos mais utilizados na empresa, a fim de facilitarmos a recuperação de um documento.
A partir do momento em que conseguimos mostrar os benefícios que esse projeto irá trazer para a empresa, nós temos os usuários do nosso lado.
CONTENT DIGITAL:
Como você vê o mercado de tecnologias para a área de documentação? Você o considera maduro
ou sente falta de alguns serviços/produtos para implantar seus projetos? As soluções podem ser encontradas
em um único produto ou ainda estão muito fragmentadas?
ANA LÚCIA:
Esse mercado vem sofrendo mudanças ao longo dos últimos anos. Em 1995, quando iniciamos a pesquisa por um software de
gestão documental, não foi nada fácil encontrá-lo - mas isso já é coisa do passado.
Hoje em dia existem muitas ferramentas integradas na qual é possível o gerenciamento do registro (documentos) em todo
o seu ciclo de vida (criação, preservação, manuseio, localização e destruição). São sistemas amigáveis e de fácil
manuseio, o que eu considero um dos maiores benefícios. O acesso é feito via web, pela Intranet de cada Companhia.
Se qualquer um de nós fizer uma pesquisa no Google sobre esse tema, irá encontrar uma infinidade de registros.
Para ilustrar esse comentário, eu fiz essa pesquisa e encontrei 515.000 registros. Isso não significa que
todos eles são referentes a uma empresa que está vendendo ou irá desenvolver um sistema, mas certamente acharemos
aquilo que estamos buscando. Com muito mais facilidade do que no final dos anos 90.
CONTENT DIGITAL:
Quais são os seus desafios para os próximos anos?
ANA LÚCIA:
Para 2009 tenho o desafio de implementar o Programa de Gerenciamento de Registros em 11 países da América Latina,
de acordo com os requisitos da J&J mundial. Garantindo o manuseio, preservação, acesso e destruição de todos os
registros da Cia, tanto em papel quanto eletrônico.
Como já disse anteriormente, estamos sempre buscando a melhoria dos serviços prestados pelo Centro de Documentação
da J&J Medical Brasil.
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