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Vivianne Amaral é Bacharel em Comunicação Social com habilitação em Jornalismo. Especializou-se em Psicologia Social – Coordenação de Grupos Operativos, pelo Instituto Pichon-Rivière – São Paulo. É consultora em articulação, animação e criação de redes sociais, e atua também como facilitadora de comunidades virtuais e presenciais. Além da atuação como animadora e facilitadora de redes, Vivianne faz produção e revisão de conteúdos para mídias digitais e impressas, e é sócia fundadora da Sinapse Agência de Notícias. Contato: bioconex@gmail.com.
Tendo atuado há mais de quinze anos em redes sociais, nos últimos cinco Vivianne vem pesquisando os processos em rede, e desenvolvendo metodologias de facilitação para o desenvolvimento, nas relações grupais, daquelas qualidades que o padrão rede anuncia: conectividade, autonomia, interdependência e produção colaborativa. |
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Vivianne, fale para nós sobre a sua visão de rede.
VIVIANNE AMARAL: São muitas as visões e abordagens sobre redes. Trabalho com o conceito de rede operativa, aquela voltada para execução de tarefas, sendo a rede uma estratégia para alcançar determinados objetivos e resultados. Gosto de abordar “rede” como um padrão organizativo, com determinados princípios, características, e que pode ser aplicado a diversos contextos coletivos.
Do ponto de vista morfológico, estrutural, imagine uma rede de pescar, com linhas se entrecruzando, formando um nó, um ponto de encontro, e formando outro nó, outro ponto de conexão e assim por diante. Quando falamos de organizações e pessoas que se articulam em rede estamos dizendo que as relações internas do seu sistema de relações, dos elementos que as formam, se dão como numa rede, a partir de conexões, com a comunicação tendendo a ser distribuída, ponto a ponto, entre as pessoas e instituições.
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A atuação em rede tem princípios diferentes dos padrões organizativos tradicionais?
VIVIANNE AMARAL:
Os princípios são os mesmos dos sistemas abertos: foco nas relações e equilíbrio dinâmico. Os elementos que compõem a rede são autônomos e funcionam de forma interdependente para o cumprimento de objetivos do sistema. Há a coexistência operativa de entes diferentes, com a emergência de uma dinâmica constitutiva. A forma de operar que desenvolvi está referenciada na teoria dos sistemas abertos.
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Que fatores você considera relevantes para uma empresa atuar em rede?
VIVIANNE AMARAL:
São vários fatores. Destaco a vontade de mudança na cultura organizacional. Em nossa sociedade as culturas organizacionais têm um padrão verticalizado, piramidal. Para o processo em rede se desenvolver, é preciso tempo, capacidade do grupo que lidera a mudança em compartilhar a visão na organização ou no universo de organizações envolvidas, investimento em formação, capacitação, comunicação. Como fazer depende de cada contexto e objetivos. Não se faz rede para as pessoas, e sim com as pessoas. È uma intervenção cultural, essencialmente.
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De que maneira o trabalho em rede pode estimular a produtividade de uma empresa?
VIVIANNE AMARAL: O primeiro produto das redes é informação fluindo sem os gargalos hierárquicos, transversalizando diversos setores, alimentando uma cultura de colaboração e cooperação. Para organizações que estão localizadas em diversos lugares a coordenação dos programas e projetos é facilitada.
Atuar em rede é também uma estratégia boa para manter o fluxo do conhecimento tácito – explícito, fazer a gestão das informações e do conhecimento organizacional. As redes geram comunidades de aprendizagem nas organizações, o que é muito enriquecedor para a cultura organizacional e para os negócios. Os resultados dependem muito dos objetivos, pois eles conferem uma direção, uma identidade à rede. Existem muitas fantasias sobre o padrão rede, é fundamental entendê-lo bem.
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Como a empresa pode enfrentar os desafios do trabalho em rede?
VIVIANNE AMARAL: Com liderança, transparência, paciência na sustentação do processo, trazendo especialistas e conhecimento para o desenvolvimento, investimento na comunicação e nas relações grupais, valorizando a produção grupal e mantendo um clima organizacional de satisfação, confiança e pertencimento.
O padrão é uma tendência cultural na sociedade informacional. Em alguns momentos todos seremos “tocados” por ele. Estamos na fase de transição. Além disso, tudo que é sustentável tem o padrão rede.
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Fale um pouco sobre o curso que você ministrará em agosto com a Content: como ele irá contribuir com os profissionais interessados no tema?
VIVIANNE AMARAL: No curso “A Estratégia Rede nas Organizações”, vamos esclarecer os conceitos, apresentar o padrão, refletir sobre as intervenções necessárias, sobre a operação e sustentação das redes. A proposta é fazer uma abordagem panorâmica, pois as configurações que o padrão assume variam muito em cada contexto. Não há um modelo, são princípios. A aprendizagem acontece numa dinâmica de diálogo. No curso teremos a colaboração do Sérgio Storch, nos temas relativos à gestão do conhecimento e cultura empresarial.
Uma novidade importante está na metodologia do curso, na qual vamos praticar um pouco o estar em rede: 15 dias antes de começar a atividade presencial de 8 horas, vamos iniciar as atividades em uma comunidade Ning exclusiva: apresentação dos integrantes, conversa sobre interesses e expectativas em relação ao curso, experiência de cada integrante em relação ao tema redes sociais, compartilhamento de materiais, experiências. Após a atividade presencial teremos continuidade da atividade na comunidade Ning por mais 30 dias: dúvidas e compartilhamento de informações sobre os temas apresentados no curso. Ou seja, o curso tem um pré e um pós, não se limitando ao que pode ser assimilado num período fixo presencial.
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